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Colonoscopia segundo a SOBED, Sociedade Brasileira de Endoscopia

O que é

É um exame endoscópico que possibilita a visualização do intestino grosso: reto, cólon sigmóide, descendente, transverso, ascendente e ceco e da porção final do intestino delgado: íleo terminal. Ela é solicitada no intuito de diagnosticar e, quando possível, tratar doenças que acometem o trato gastrointestinal baixo. É realizado pela introdução de um fino aparelho flexível com iluminação central que permite a visualização do revestimento mucoso de todo o trajeto examinado do tubo digestivo. O exame pode ser realizado com sedação ou anestesia, utilizando medicação administrada por uma veia para permitir que você relaxe e adormeça. As principais indicações para realização do exame são: avaliação de alteração do ritmo intestinal, sangramento digestivo baixo e rastreamento e prevenção de câncer de cólon. A colonoscopia permite a detecção e tratamento de lesões pré-malignas e de câncer de cólon em fase inicial, que se apresentam ao exame como lesões elevadas (pólipos), planas ou deprimidas, passíveis de serem retiradas endoscopicamente durante o exame. O exame pode ser realizado em regime de ambulatório, hospital-dia ou internação hospitalar.

Qual o preparo para o exame ?
Deve-se interromper o uso de aspirina (AAS) por 11 dias antes do procedimento. Caso o paciente necessite do uso contínuo de AAS ou adicionalmente faça uso de anticoagulantes, seu médico assistente deve orientar e autorizar sua interrupção. Para realização do exame é necessário que seu estômago esteja vazio, sendo necessário jejum de 8 horas. Durante o procedimento endoscópico, o cólon precisa estar isento de fezes e resíduos alimentares para a adequada visualização do órgão. Para a limpeza do cólon, é necessário: 1) dieta líquida restrita na véspera do exame, que consiste na ingestão exclusiva de líquidos sem resíduos e sem leite durante as 24hs que precedem o exame. Você poderá fazer uso a vontade de sucos coados, caldos de carne, frango ou legumes, água de coco, chás, gelatina, sorvete (preparado sem leite), refrigerantes e bebidas isotônicas; 2) uso de laxante em comprimidos na véspera do exame e 3) uso de manitol a 20% ou outra solução catártica no dia do exame a ser administrada em casa ou após a sua admissão. Evite comparecer com unhas pintadas, porque o esmalte prejudica a monitorização da oxigenação sanguinea durante o exame.Você deverá se apresentar ao serviço de endoscopia ou à admissão de clientes no horário designado. Antes de iniciar o exame, é necessário o preenchimento da ficha de admissão e do termo de consentimento informado.

O que acontecerá durante o exame ?
Após sua admissão na sala de exame, você precisará remover seus óculos e próteses dentárias. Seus dados vitais e sua saturação de oxigênio serão monitorizados e será colocado gentilmente um pequeno cateter nasal para administração de oxigênio. Você irá posteriormente receber medicação sedativa ou anestésica para permitir que você relaxe e adormeça. A medicação pode causar sensação fugaz de ardência no local da infusão e no trajeto da veia puncionada. O médico realizará então um toque retal, seguido a introdução do colonoscópio pelo ânus até o ceco e/ou íleo terminal. Caso você sinta qualquer desconforto, doses subseqüentes da mesma medicação serão empregadas para permitir que um exame tranqüilo e indolor. Se necessário, pequenas amostras de tecido (biópsias) podem ser colhidas durante o exame para análise microscópica detalhada. Na presença de lesões elevadas (pólipos), planas ou deprimidas, poderá ser realizada, a critério médico, a sua retirada durante o exame por polipectomia ou mucosectomia. A duração média do procedimento é de 15 a 30 minutos salvo em casos especiais.

Quais os riscos do procedimento:
A colonoscopia é um exame seguro recomendado inclusive para rastreamento populacional para prevenção de câncer colorretal em indivíduos com idade superior a 50 anos. No entanto, como todo ato médico, ela não é isenta de riscos. As complicações da colonoscopia podem ser divididas em complicações relacionadas ao preparo, a sedação ou anestesia e complicações relacionadas a procedimentos diagnósticos ou terapêuticos. O uso de catárticos durante o preparo intestinal pode ocasionar tonturas, náuseas, vômitos e cólicas intestinais, seguidos ou não por desidratação e desequilíbrio hidro-eletrolítico (alteração na concentração corporal de sódio, potássio e magnésio). Raramente, distensão abdominal pode ocorrer, particularmente em pacientes com tumores avançados do intestino grosso. O preparo intestinal é realizado de maneira a prevenir ou minimizar esses efeitos colaterais por hidratação venosa e reposição hidroeletrolítica vigorosa, e uso profilático de anti-eméticos.As medicações empregadas na sedação podem provocar reações locais (flebite no local da punção venosa) e sistêmicas de natureza cardiorespiratória, incluindo depressão respiratória com diminuição na oxigenação sanguinea e alterações no ritmo cardíaco (bradicardia e taquicardia) e na pressão arterial sistêmica (hipotensão e hipertensão). Esses efeitos colaterais são constantemente monitorizados durante o exame com o uso de monitor de oxigenação sangüínea e de controle da freqüência cardíaca, estando a equipe habilitada para o tratamento imediato de qualquer uma dessas complicações. As complicações relacionadas a colonoscopia diagnóstica são raras, ocorrendo em 0,1% a 0,5% dos exames. As mais freqüentes são a perfuração (0,5%) e o sangramento (0,05%). Perfuração ocorre mais frequententemente em pacientes idosos com doença diverticular deformante dos cólons. Hemorragia é excepcional e ocorre geralmente em pacientes com distúrbios de coagulação submetidos à biópsia colônica. Essas complicações são mais freqüentes nos procedimentos terapêuticos, incluindo polipectomia (retirada de pólipos), mucosectomia (retirada de lesões planas ou deprimidas), hemostasia (tratamento de lesões sangrantes), dilatação de estenose (estreitamento) colônica e descompressão colônica. As complicações após a polipectomia são as mais freqüentes, ocorrendo sangramento e perfuração na base do pólipo retirado em, respectivamente, 1 a 2,5% e 0,3% a 2% dos casos. Essas complicações ocorrem geralmente em pacientes com pólipos de grandes dimensões (maiores que 2 cm) e podem ocorrer no momento ou dias após a realização do exame. O sangramento pode ser tratado por hemostasia endoscópica e a perfuração habitualmente requer tratamento cirúrgico

O que devo fazer após o procedimento ?
Após o término do exame, você será encaminhado de volta ao seu quarto ou sala de recuperação, onde você deverá permanecer por 30 a 45 minutos, até que os efeitos principais das medicações empregadas para sua sedação desapareçam. Você pode apresentar flatulência e mais raramente dor abdominal. Caso isto ocorra, favoreça a eliminação de flatos, deitando de lado ou de bruços. Se não apresentar melhora, comunique o seu médico para que ele possa lhe administrar medicação analgésica. Como você recebeu medicações sedativas durante o exame, um acompanhante deve estar obrigatoriamente disponível para escoltá-lo de volta para casa. Devido aos efeitos da medicação, você não deve dirigir carros, operar máquinas, ou beber álcool até o dia seguinte ao exame, quando você será capaz de retornar às suas atividades rotineiras. Após o exame, você pode voltar a sua dieta normal e a fazer uso de suas medicações rotineiras, a menos que tenha sido instruído do contrário por seu médico. Você poderá apresentar fezes diarréicas ainda por 12-24 horas após o exame. O resultado do exame deve ser interpretado de acordo com sua história clínica e exame físico. O médico que solicitou o exame é o profissional mais habilitado para orientá-lo em relação ao diagnóstico encontrado. Se necessário, o médico endoscopista poderá entrar em contato direto com ele. Instruções adicionais a respeito de seu problema e tratamento serão dadas na sua próxima consulta clínica. Se foram obtidas biópsias, a análise poderá ser realizada pelo laboratório de anatomia patológica de sua preferência, sendo o resultado entregue pelo mesmo laboratório geralmente em cinco dias úteis. Caso você tenha se submetido a um procedimento terapêutico, informações adicionais serão prestadas pelo médico endoscopista e/ou enfermeira.
Caso você apresente qualquer intercorrência: dor persistente ou recorrente, distensão abdominal, evacuação com sangue; febre; dor, vermelhidão ou inchaço no local da injeção endovenosa, por favor entre em contato com seu médico.

Existe uma grande necessidade de expandirmos o conhecimento das pessoas sobre o exame de colonoscopia. Após indicado pelo seu médico, não adie a realização do exame. Não há necessidade de medo ou preconceito.

Muitas vezes sua vida, a de seu pai, sua mãe ou de alguma pessoa querida pode ser salva.

Grande Abraço,

Dr. Sérgio Barrichello.

safpacientes@terra.com.br